domingo, 27 de julho de 2014

Quimera

Queria poder te chamar de meu. Gostaria que meus sonhos se tornassem reais e pudesse sentir você mais perto de mim. É triste perceber que o 'gostar' varia de pessoa para pessoa. Não me restrinjo a dizer o quanto amo alguém, mas esse termo para ti, deve soar o mais comprometedor possível, talvez por isso, nunca ouvirei os mesmos dos teus lábios.
Queria sim poder ouvir coisas bonitas vindas de ti para mim, mas acho que isso sempre ficará no campo das idéias. Talvez eu queira demais... por vezes não entendo esse gostar frio... sem abraços... sem carinho...confesso que chego a duvidar do mesmo. Talvez eu seja carente demais, quem sabe!

sábado, 31 de maio de 2014

Português

            Às vezes eu acho que realmente desperdiço meu tempo, meus sentimentos, meu afeto, minhas palavras com quem não se importa comigo. Eu prezo por um bom dia, um sorriso, um abraço, uma palavra de conforto e confesso que espero o mínimo em troca. É tão difícil se importar com quem não se importa com a gente, muito ruim quando você percebe que o outro move céus e mundos por outros, mas quando chega a sua vez, sempre existe uma conjunção adversativa esclarecendo a situação: “mas não tenho tempo, queria te ver, entretanto tenho compromisso...” Coisas desse tipo!
             Hoje eu só queria que tudo fosse diferente, que minha ligação fosse atendida, minha mensagem fosse respondida e não apenas visualizada, pode ser muita possessividade ou egocentrismo, mas queria que ao menos uma vez isso ocorresse. Porque quando eu vejo tudo isso ocorrendo com outros, fico com um nó na garganta e me perguntando se os meus defeitos são tão piores quanto de outrem a ponto de ser a pessoa mais ignorada da face da terra.
             Não sei se estou sendo tão hiperbólica, mas é neste ápice que meus sentimentos se encontram, nesse extremo. Estou tão cansada de ser deixada de lado que o meu desejo mesmo era de desapegar, de deixar essas pessoas para lá (considere aqui advérbio de lugar) e ficar aqui no meu canto, sem me sentir mal ou esperar algo.

                Deve ser verdade mesmo quando as pessoas dizem que devemos criar tudo, menos expectativas e ainda mais, se estas forem relativas a outras pessoas. Se sempre tivéssemos este pensamento, nos pouparíamos de muitos aborrecimentos.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Que país é esse?

Tava cá pensando com meus botões, de que adiantaram aquelas lindas manifestações do povo contra o governo e todos os problemas que afligem nosso país? foram inúmeras e espalhadas por todos os cantos do Brasil e o povo que realmente queria uma mudança, tava lá de cara lavada dizendo que não estava de acordo com todas as coisas podres e o caos em que esta nação se encontra... passado algum tempo as manifestações findaram e digamos que tudo voltou ao normal.
Esse ano, sendo o ano da COPA, fico aqui me perguntando se grande parte dessa massa, vai sentar a bunda nas suas cadeiras, sofás e etc no mês de junho pra assistir nosso querido time jogar, afinal, o Brasil é o país do futebol! Fico me perguntando se esta mesma massa vai alimentar os bolsos dos donos de hotéis, das empresas de viagens e de quem administra o dinheiro nos estádios(mesmo sendo leiga, sei que esse dinheiro não volta todo pro governo)... Me resta esperar, para ver e ler aqui o patriotismo do povo brasileiro que tem um orgulho enorme por nossa seleção! Enquanto milhares de pessoas passam fome, miséria, doença, vivem abaixo da linha da pobreza e muitas pessoas batalhadoras como eu, se quiser uma vida melhor tem que trabalhar horas a fio enquanto nossos amados políticos viajam de jatinho particular para implantar cabelo. Não temos dinheiro para investir na educação, mas gastar milhares e milhões em estádio, temos... tem horas que tenho é vergonha, isso sim.

sábado, 5 de abril de 2014

Minha mais linda flor!

Como tudo no mundo muda, assim como o dia cede espaço para a noite e o sol cede para a chuva, as coisas sempre mudam. Assim como jamais pisaremos novamente no mesmo rio e assim como nunca olharemos o mesmo céu, tudo muda.
Uma vida de mudanças requer mudanças, de olhares, de atos, de perspectivas. Mudar a roupa, o cabelo, a postura, o ar que se respira, os lugares que se frequenta...
Por alguns anos, a minha paixão pode ser expressada através de palavras, por vezes com erros ortográficos, através de um blog chamado Pensamentos, que a priori, não me interessava ser única e talvez por isso tenha escolhido um nome tão comum, porém, não inferior a importância que o blog representa para minha pessoa.
E por alguns anos o blog expressou o que penso, ou imagino, ou algo vivenciado por outros e porque não por mim também. Nem tudo é verídico, nem tudo é de minha autoria, mas tudo expressado foi escrito em momentos alegres ou tristes e inspirativos.
E assim como uma folha não cai mais de uma vez de uma árvore, me veio um estalo e a vontade de mudar o nome do blog. Mudar o nome, não a essência. E Flor de Cacto para mim foi brilhante. Podem existir outros com este nome, mas agora eu tenho uma justificativa para tal!
Sendo o cacto uma planta típica do deserto, aparentemente feia, mas que tem extrema importância, pois, além de sobreviver às altas temperaturas, guarda dentro de si água para tal e depois de tudo isso, ainda floresce e diga-se de passagem, uma das mais bonitas flores que pude ver!

Diante disso, Pensamentos cede espaço para Flor de Cacto, que em essência, continuará sendo escrito por esta humilde pessoa que vos fala! (ou vos escreve!)

quarta-feira, 12 de março de 2014

Memórias de uma cega


     Caminhava em perfeita escuridão, tateava tudo ao redor, achava tudo perfeito, havia me acostumado com a mais tenra falta de luz. E passava horas, dias, meses e anos... e nada via, nada sentia pois por onde quer que eu andasse era a mesma coisa, só havia visto algo diferente em meus sonhos. Neles eu podia contemplar a beleza das cores, conhecia todas, sem mesmo nunca saber como eram, podia contemplar todas as coisas belas da vida e isso me alegrava a alma.

     Certo dia, caminhando no escuro, pude ver ao longe um foco de luz. Pensei estar sonhando, mas nos meus sonhos tudo era bem mais claro e o que via era um ponto na imensidão da noite. Acontece que, além de ver, pude sentir algo se aproximando vagarosamente, tive medo, pois meus contatos físicos sempre foram um desastre, tatear as coisas desconhecidas vez ou outra resultava em algo quebrado, ou decepção mesmo.

     Mas além de sentir, pude finalmente ouvir... e era uma voz adorável, de um alguém que provavelmente nunca veria a face, mas que poderia descrever a quilômetros de distância. E pela primeira vez então pude sentir um prazer inimaginável ao tocar o rosto deste alguém que me ofereceu a luz que eu jamais veria.

     E tão claro como o dia e tão afável como uma manhã radiosa, descobri as cores da natureza do meu coração, que começou a pulsar conforme os passos seus os quais me eram oferecidos. Assim me presenteaste com algo que sempre desejei ter: uma bela amizade. Foste meu amigo, meu companheiro, meus ouvidos, minha voz e principalmente meus olhos. Permitiste que eu pudesse enxergar através de ti e assim pude descobrir um mundo nunca antes visto.

    E de repente tudo se cala. Por onde anda você? Já não consigo mais voltar para a repleta escuridão de onde me tiraste. Aprendi a caminhar de mãos dadas e a enxergar o mundo com os olhos. Mas tua ausência me dói a alma e o foco de luz que havia visto sumiu na vastidão escura. Meus sonhos também não são os mesmos, não tem mais cores...agora está tudo em mais perfeito luto.

sábado, 1 de março de 2014

Casulo

    Te conheci numa manhã cinzenta, fria e chuvosa. Não era dos meus melhores dias. Aliás a muito tempo eu não tinha um melhor dia. Ocorre que fui apresentada a teu riso e a tua educada maneira de falar. Tive que conviver com tuas diferenças e confesso que achei que não seria nada fácil. De fato não foi, tinha que fazer tudo com muita perfeição, com medo de levar uma bronca daquelas, caso as coisas não saíssem conforme o combinado.
    Até antes de conhecer-te, eu entrava muda e saia calada e confesso que se soubesse de todo desfecho futuro, preservaria tudo isso. Faria mais, falaria menos e guardaria tudo para mim, como sempre foi. Juro que estou tentando voltar a ser assim, mas fica difícil depois que a vida 'mete o bedelho' onde não é chamada e nos muda... não sei se para melhor ou pior.
   Lembro que eu me afundava nos meus livros e dane-se o mundo, a casa podia cair, ter um tsunami, maremoto... eles sempre foram a minha melhor companhia, não me ouviam, mas me ajudavam a viajar pra onde provavelmente nunca irei, me apaixonar por personagens que provavelmente nunca conhecerei... eram ótimas companhias.
    E depois também tinha a escola, as pessoas de lá, os turbilhões de assuntos pra estudar, as dezenas de apostilas pra ler, as inúmeras tarefas de casa. Quando chegava o fim de semana, só queria saber de uma coisa: dormir.
    Hoje, parece que nada disso faz sentido, você me ofereceu sua companhia, seu riso, sua ajuda no lugar de todas essas coisas, daí aprendi que não importa o que você tem, mas quem você tem. Daí passei a me sentir mais feliz, pude me entregar a atividades e experiência que jamais sonhei em fazer. Metamorfose-ei-me.

     Posso dizer que cresci e amadureci. Que chorei e ri. Que errei e acertei. Mas aí de repente você resolve ir e tudo começa a ficar turvo para mim. Confesso que queria voltar para meu mundo, passar a tarde dormindo só para o dia acabar mais rápido, mas tá difícil... acho que um casulo desfeito não pode mais ser refeito. Mas quem sabe, consiga voltar pros meus livros, cadernos, trabalho e me habitue a essas manhãs cinza novamente.  

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Ainda chove

    Contemplando esse dia maravilhoso com todo esse sol, nuvens brancas e céu azul, lembro das minhas manhãs de felicidade, as quais eram preenchidas com suas ligações e mensagens.
    Lembro dos nossos encontros a tarde, das desculpas usadas, motivos simples que alimentavam nossas visitas, estudos, reuniões, trabalho, qualquer coisa era motivo para eles acontecerem. Daí os nossos risos, nossos papos e momentos, todos vieram a tona.
   Hoje acordei, tomei aquele banho demorado, pus a melhor roupa e fiz a melhor maquiagem para disfarçar as olheiras que tua ausência tem me causado. Pus uma máscara também, meu riso colei no rosto, não posso trabalhar com uma cara de enterro. Sempre tento por as pessoas do meu trabalho para cima, não posso deixa transparecer tamanha infelicidade! Me faço de forte por fora, mas por dentro só eu sei a dor que sinto.
    Por fora tá tudo lindo, mas por dentro não. A angustia me domina e a dor que se instalou no lugar da minha alegria não quer mais passar. E desde então tá tudo ruim. Vez ou outra deixo escapar uma lágrima, particularmente hoje, fugiu de mim uma enxurrada.
    Mas quando são as lágrimas, finjo que é um cisco... quem dera que essa dor fosse comparada ao pequeno incômodo de um cisco...

    Sinceramente acho que não vai passar nunca, lá fora o dia tá lindo, mas aqui dentro ainda chove.