terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Releitura

Tem dias na vida da gente que pensamos em largar tudo, desaparecer, virar fumaça, sumir! É estranho, eu sei, mas às vezes acontece das pessoas que mais gostamos nos magoar! É assim com o João, com a Patrícia, com meu tio... nós também somos capazes de soltar farpas que podem ferir os outros e por vezes nem nos damos conta pois estamos apenas disseminando o que recebemos do outro.
Por isso é de extrema importância analisar se iríamos gostar se fizéssemos conosco o que fazemos com os outros. Se os olhos aceitariam a pimenta, se a nossa grama seria mais verde ou se o gado o mais gordo. Eu penso que as pessoas estão com o sensor (sensor mesmo, aquele que detecta) crítico no alerta, um passinho em falso e somos bombardeados das mais variadas, sejam construtivas ou destrutivas. O ser humano não oferece mais solução, mas sim um punhal de palavras que ditas de forma atravessada disferem a carne de muitos.
Já dizia (ainda diz) um amigo meu "todo mundo quer o bônus, ninguém quer o ônus", é muito fácil jogar a culpa no macaco mais gordo que vai quebrar o galho!
Eu não quero colher os louros de ninguém, nem os meus. Não preciso disso. Não busco reconhecimento, não busco ser o melhor me comparando a alguém que talvez não tenha tido a mesma oportunidade que eu. Não preciso provar o quão inteligente eu seria. Só queria que as pessoas fossem um pouco mais condescendente e vissem a vida com olhos que realmente enxergam. Saramago mostra nitidamente em sua obra "Ensaio sobre a cegueira" o quanto somos cegos, o quanto enxergamos somente o que nos convém, vivemos numa perfeita escuridão e enquanto não aprendermos a passar pelas adversidades da vida com os olhos do coração, de nada valem nossas córneas. Foi perfeito em sua colocação: a humanidade está cega!
Em um desses domingos, estive assistindo um programa que trata de diversos assuntos, mas o que me chamou atenção foi a história de um atleta que percorreu muitos quilômetros no deserto do Atacama. Mas ele era diferente, não era qualquer atleta, ele era cego! Calma! Não era um cego qualquer, era um homem que devido uma enfermidade se tornou cego. E o que mais me emocionou não foi o fato dele ter perdido a visão, mas sim a maneira como ele enfrentou a situação. Antes dele perder totalmente, ele passou a fazer algumas atividades de olhos vendados, assim se acostumaria com a escuridão que estaria por vir. Depois, aposentado por invalidez, passou a correr na praia guiado pelo barulho dos carros e tornou-se medalhista!
E nesse momento quando vi aquela reportagem fiquei pensando um pouco sobre minha vida, não tenho deficiência física alguma, mas por vezes me imponho limitações que me tornam deficiente, me bloqueio, não me permito ir além. Mas, voltando ao medalhista, não contive as lágrimas quando ele disse que não importava como a repórter era, o que vestia ou usava. Ele disse que agora via com o o coração, que a partir do momento que cegou passou a enxergar o mundo da melhor maneira possível.
Eu quero isso, não a melhor roupa, nem o sapato, nem carro. Quero aprender a ver o mundo com os olhos certos. Ver as melhores atitudes, os melhores gestos, as melhores situações. E torço para que as pessoas queiram o mesmo.

domingo, 27 de julho de 2014

Quimera

Queria poder te chamar de meu. Gostaria que meus sonhos se tornassem reais e pudesse sentir você mais perto de mim. É triste perceber que o 'gostar' varia de pessoa para pessoa. Não me restrinjo a dizer o quanto amo alguém, mas esse termo para ti, deve soar o mais comprometedor possível, talvez por isso, nunca ouvirei os mesmos dos teus lábios.
Queria sim poder ouvir coisas bonitas vindas de ti para mim, mas acho que isso sempre ficará no campo das idéias. Talvez eu queira demais... por vezes não entendo esse gostar frio... sem abraços... sem carinho...confesso que chego a duvidar do mesmo. Talvez eu seja carente demais, quem sabe!

sábado, 31 de maio de 2014

Português

            Às vezes eu acho que realmente desperdiço meu tempo, meus sentimentos, meu afeto, minhas palavras com quem não se importa comigo. Eu prezo por um bom dia, um sorriso, um abraço, uma palavra de conforto e confesso que espero o mínimo em troca. É tão difícil se importar com quem não se importa com a gente, muito ruim quando você percebe que o outro move céus e mundos por outros, mas quando chega a sua vez, sempre existe uma conjunção adversativa esclarecendo a situação: “mas não tenho tempo, queria te ver, entretanto tenho compromisso...” Coisas desse tipo!
             Hoje eu só queria que tudo fosse diferente, que minha ligação fosse atendida, minha mensagem fosse respondida e não apenas visualizada, pode ser muita possessividade ou egocentrismo, mas queria que ao menos uma vez isso ocorresse. Porque quando eu vejo tudo isso ocorrendo com outros, fico com um nó na garganta e me perguntando se os meus defeitos são tão piores quanto de outrem a ponto de ser a pessoa mais ignorada da face da terra.
             Não sei se estou sendo tão hiperbólica, mas é neste ápice que meus sentimentos se encontram, nesse extremo. Estou tão cansada de ser deixada de lado que o meu desejo mesmo era de desapegar, de deixar essas pessoas para lá (considere aqui advérbio de lugar) e ficar aqui no meu canto, sem me sentir mal ou esperar algo.

                Deve ser verdade mesmo quando as pessoas dizem que devemos criar tudo, menos expectativas e ainda mais, se estas forem relativas a outras pessoas. Se sempre tivéssemos este pensamento, nos pouparíamos de muitos aborrecimentos.