terça-feira, 27 de outubro de 2015

Coleção

   Alguns colecionam selos, tampinhas de refrigerantes, cartões postais. Eu coleciono tristezas. Mas não é aquela tristezinha que amanhã passa e muito menos aquela que vem da fome.
   Essa é diferente, é uma vontade de ter aquilo que é bem difícil de conseguir, é uma daquelas que se lamenta por horas a fio o não feito, o não ocorrido, o "se" não concretizado.
   É algo complexo de se entender, vem de lados, pessoas, sentimentos, de coisas que não se concretizam, e não porque não se correu atrás, mas vai entender os motivos!
   Talvez seja por procurar demais, ou por pedir demais, ou talvez pensar que faço demais e em verdade faço de menos. Essas tristezas vêm das doações não concretizadas, das vontades não realizadas, das possibilidades perdidas... São tantas, que quando penso não caber mais lugar no peito, outro buraquinho se abre cedendo espaço para mais uma delas.

   Não sei quanto tempo mais conservarei esta coleção, mas acredito que não há como desvincular-me dela, é mais forte que eu! Parece nata, sei lá... parece que faz parte de tudo o que construí ou daquilo que me constrói. O que me resta é decidir o momento de guardá-la no fundo, mas bem no fundo do meu coração e lá deixar, esquecida.

domingo, 18 de outubro de 2015

Quando se está só.

Arruma-se tudo para fazer e nada é feito. É o dia da faxina e o dia do descanso. Do barulho e do silêncio. Da leitura e do sono. E também das altas madrugadas proibidas frente à TV. Do "dormir no outro dia" ou passar a noite em claro, não pelo prazer que isso proporciona, mas sim pela insônia advinda da falta de companhia. Mesmo que essas companhias sejam cheias de sonos e roncos, não me importo, são bem melhores que o ruído do ventilador ou as luzes refletidas da televisão na vastidão escura e solitária da casa.
Cozinhar: está aí uma alternativa que eu adoro! Inventar pratos, ou mesmo fazer os já sabidos. preencher o tempo pesquisando receitas, por a mão na massa! Caramelizar a forma... hummm muito bom! Depois de pronto desenformar e aí deveria vir a melhor parte: deleitar-me com o sabor gostoso do que acabara de ser preparado. Porém, qual a graça de se comer quando estamos sozinhos? Se não for apenas para a satisfação da fome, não encontro mais utilidade alguma. Assim, obrigo-me a comer em minha companhia, mas não dá para sair dialogando com a comida ou auto-elogiando o prato. Descobri que prefiro comer com gente por perto.
A hora da soneca da tarde não é problema, imagina ter que depender de gente para dormir neste horário! Viveria numa insônia constante! Já bastam as noites mal dormidas e as olheiras rotineiras que insistem em visitar-me pelas manhãs. Em menos de uma hora desperto e aí lá vem aquela sensação de arrumar o que fazer.
Cansa tatear o controle em busca de uma programação legal e as vezes se quer descansar a mente longe das leituras dos livros... estudar, nem pensar, não quando a mente está cansada demais para raciocínios, que se tornariam repetitivos e desgastantes, quando percebo que li o mesmo parágrafo três vezes, melhor desistir, pois me perdi na leitura e consequentemente não entendi nada.
Ouvir música é maravilhoso! Ela me transporta a lugares, pessoas, mundos diversos! Me alegra, me completa, e com a minha possessividade, já escolhi aquelas que foram feitas para mim, mesmo sem o compositor me conhecer! Mas são minhas e ninguém tasca! E mesmo desafinada-como eu-só sendo eu, solto meu vozeirão e me ponho a cantar do MPB ao internacional, a playlist da minha vida é enorme e elas fazem parte de mim, não me imagino sem música, é quase como respirar sem ar.
Mas as enxaquecas também não me permitem viver de música, então, vez ou outra, o barulho querido tem que parar, caso contrário, a cabeça explode. Tem uma outra coisa que adoro fazer quando estou sozinha: escrever! Não sou escritora, mas às vezes finjo ser uma, confesso que fico feliz com o que escrevo, descubro algo que talvez nunca tenha imaginado ser capaz de fazer, transformar palavras em textos, uns que divirtam, outros que alertem, uns que alegrem, outros sem teor educacional nenhum! Como dizia Cazuza 'escrevo para não falar sozinho'!
Tirando a parte solitária, gosto de estar só, cômico isso! Mas posso ficar imersa em meus pensamentos e transformá-los em algo legal, ou não. Depende do meu humor.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Meu.

Tão logo o vi, pude perceber que era diferente. Foste para mim o melhor riso, os mais lindos olhos, o maior dos sentimentos. Não pude descrever o que sentira, mas pude ter a convicção de que era para ser com você. Foi estranho, eu sei, mas nunca vi ou senti algo assim, nem com minhas maiores paixões, meus maiores amores...
Talvez sejam apenas devaneios, ou vontade

de que algo se personifique, mas talvez apenas meus pensamentos viajem para perto de ti e como em um sonho, possamos viver algo que por vezes eu estimei que acontecessem.
Te achei lindo e meu. Achei que foste colocado no meu caminho por um propósito. Achei tantas coisas...Mas valeu a pena ter este sentimento aqui dentro, essa felicidade mesmo que esporádica, essas borboletas no estômago.
Talvez nunca mais te veja, quem sabe? Mas prefiro continuar nutrindo esse mundo de coisas boas que tua presença me causou e passar o resto dos meus dias em mais perfeita harmonia e paz de espírito. Mesmo sem te conhecer de fato, já gostei de ti, e acho que esse sentimento não vai passar tão cedo...